Cuidados com o cubo redutor em operações de carga pesada

Para caminhões que operam em condições severas, como o transporte de minérios, cana-de-açúcar ou madeira, o cubo redutor é um dos componentes mais exigidos de todo o trem de força. 

Diferente de um eixo convencional, o cubo redutor utiliza engrenagens planetárias nas extremidades dos eixos para multiplicar o torque exatamente onde ele é necessário: na roda.

Embora esse sistema alivie a carga sobre o diferencial e os semieixos, ele concentra um esforço térmico e mecânico massivo em um espaço reduzido, assim, sem os cuidados adequados, o custo de reparo pode ser um dos mais altos da manutenção pesada.

A importância da lubrificação específica

O óleo em um cubo redutor trabalha sob pressão e temperaturas extremas. Como o volume de lubrificante em cada cubo é pequeno se comparado ao diferencial, qualquer degradação do fluido compromete a proteção das engrenagens quase que instantaneamente.

O maior erro em operações de carga pesada é ignorar a viscosidade e a especificação técnica do óleo. 

O uso de lubrificantes fora do padrão recomendado pela montadora resulta no rompimento da película protetora, causando o contato metal-metal entre as planetárias. 

Em operações de “anda e para” ou subidas íngremes com PBT (Peso Bruto Total) elevado, o óleo atinge picos de temperatura que exigem estabilidade química superior para não oxidar.

Vedação e contaminação externa

A integridade dos retentores do cubo é o que separa a produtividade do prejuízo. Em operações fora de estrada, o cubo fica exposto a lama, poeira abrasiva e água. 

Se o retentor apresentar qualquer sinal de vazamento, o problema é duplo: além da perda de lubrificante, existe a entrada de contaminantes.

A entrada de sílica (areia) no interior do cubo age como uma pasta esmeril, destruindo os rolamentos e os dentes das engrenagens em poucos quilômetros. 

Dessa forma, em cada parada para verificação de rotina, o mecânico ou motorista deve inspecionar a face interna das rodas em busca de marcas de óleo, já que um retentor trocado a tempo evita a substituição de um jogo completo de planetárias.

Verificação de folgas e rolamentos

O ajuste dos rolamentos de cubo em sistemas com redução é cirúrgico. Uma folga excessiva causa o desalinhamento das engrenagens internas, fazendo com que o torque não seja distribuído de forma uniforme entre as três ou quatro planetárias do sistema. 

Por outro lado, um ajuste excessivamente justo aumenta o atrito e a geração de calor, podendo levar ao travamento do cubo. 

Em operações de carga pesada, a conferência da folga axial deve ser feita rigorosamente dentro do cronograma de manutenção preventiva, utilizando ferramentas de precisão.

Circularidade e a reposição de componentes

O cubo redutor é um exemplo claro de onde a economia circular gera valor real. Por ser um componente robusto, muitas vezes o dano é localizado em apenas um rolamento ou em uma das engrenagens planetárias.

Optar por componentes genuínos renovados para a manutenção do cubo garante que o conjunto mantenha a dureza superficial original do metal. 

Peças paralelas de baixa qualidade costumam falhar sob torque extremo, pois não possuem o mesmo tratamento térmico que as peças genuínas. 

Recuperar um cubo redutor utilizando componentes com padrão de fábrica prolonga a vida útil do eixo completo e reduz o descarte desnecessário de grandes carcaças metálicas.

Dicas de operação para preservação

Além da manutenção de oficina, a forma como o caminhão é conduzido impacta a vida do cubo. Por isso:

  • Evite arrancadas bruscas: o torque de saída em um cubo redutor é multiplicado, assim, arrancadas com carga máxima geram um estresse de torção que pode trincar os eixos das planetárias;
  • Atenção à temperatura: em descidas de serra, o calor dos freios pode ser transferido para o cubo. O uso correto do freio motor ajuda a manter a temperatura do conjunto em níveis seguros.

Portanto, cuidar do cubo redutor é uma questão de disciplina técnica. 

Assim, o monitoramento do nível de óleo, a troca nos intervalos corretos e a inspeção rigorosa das vedações são o que garantem que o caminhão suporte as cargas mais pesadas sem falhas catastróficas.

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